{"id":9688,"date":"2019-11-03T13:01:00","date_gmt":"2019-11-03T13:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/sitesadam.com.br\/modelo\/?p=9688"},"modified":"2019-11-03T13:01:00","modified_gmt":"2019-11-03T13:01:00","slug":"mineracao-investimentos-arbitragem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sitesadam.com.br\/modelo5\/mineracao-investimentos-arbitragem\/","title":{"rendered":"Minera\u00e7\u00e3o, investimentos e arbitragem"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: justify;\">Um\u00a0<i>mantra<\/i>\u00a0da minera\u00e7\u00e3o, especialmente na maioria dos pa\u00edses com tradi\u00e7\u00e3o mineral, \u00e9 o reconhecimento da preval\u00eancia da atividade em disputas de espa\u00e7o com outras modalidades de uso por terceiros.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Esse\u00a0<i>quase-dogma<\/i>\u00a0faz sentido. Al\u00e9m do interesse p\u00fablico da minera\u00e7\u00e3o, a rigidez locacional dos dep\u00f3sitos minerais protege esse uso preferencial. Tal prerrogativa foi e continua sendo decisiva para o desenvolvimento de projetos miner\u00e1rios. \u00c9 essencial para a mitiga\u00e7\u00e3o de restri\u00e7\u00f5es ambientais, fundi\u00e1rias e sociais a eles aplicados. Exerce papel preponderante na solu\u00e7\u00e3o de conflitos com terceiros resistentes \u00e0 atividade, permitindo \u00e0s empresas valerem-se de normas que materializam essa prote\u00e7\u00e3o para fazerem seus empreendimentos prevalecerem.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 pelo menos uma d\u00e9cada, todavia, esse discurso tornou-se insuficiente. Posi\u00e7\u00f5es antagonistas \u00e0 minera\u00e7\u00e3o \u2013 algumas leg\u00edtimas, outras question\u00e1veis \u2013 obrigaram as empresas a evoluir, engajando e articulando com a comunidade envolvida os interesses de todos para conseguirem operar de forma consistente.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">A realidade \u00e9 clara: n\u00e3o basta deter os consentimentos estatais necess\u00e1rios \u00e0 minera\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso construir consensos com os envolvidos, protegendo n\u00e3o s\u00f3 a viabilidade da atividade, mas tamb\u00e9m a reputa\u00e7\u00e3o dos operadores<sup>1<\/sup>.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">O investimento na chamada\u00a0<i>licen\u00e7a social para operar<\/i>\u00a0\u2013 ou sua vers\u00e3o atualizada, denominada\u00a0<i>licen\u00e7a de desenvolvimento sustent\u00e1vel para operar<\/i><sup>2<\/sup>\u00a0\u2013 j\u00e1 foi exaustivamente pesquisado em v\u00e1rios ramos cient\u00edficos.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Contudo, seus efeitos est\u00e3o sendo percebidos pela ind\u00fastria mineral em um novo contexto: nas disputas arbitrais envolvendo investidores e Estados.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><b>Divis\u00e3o da renda mineral, conflitos e disputas arbitrais<\/b><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">O aumento vertiginoso dos pre\u00e7os das\u00a0<i>commodities<\/i>\u00a0minerais, entre 2005 e 2015, desencadeou<sup>&lt;3<\/sup>, entre outras, duas consequ\u00eancias relevantes: (a) o descontentamento dos Estados com o retorno financeiro proveniente de tais atividades para os cofres p\u00fablicos<sup><i>4<\/i><\/sup>\u00a0e (b) a insatisfa\u00e7\u00e3o de comunidades pr\u00f3ximas em raz\u00e3o do inc\u00f4modo trazido pela expans\u00e3o dos projetos. Tais fatos geraram uma onda de revis\u00e3o global das normas miner\u00e1rias, de renegocia\u00e7\u00e3o de contratos<sup>5<\/sup>\u00a0e, em pa\u00edses menos aderentes ao devido processo legal, expropria\u00e7\u00e3o de t\u00edtulos miner\u00e1rios.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Em v\u00e1rios casos as novas regras impostas pelos Estados n\u00e3o foram aceitas por mineradores, instaurando-se lit\u00edgios, em sua maioria perante tribunais arbitrais<sup>6<\/sup>, com base em cl\u00e1usulas estipuladas em tratados bilaterais de investimento. Assim como observado no setor de \u00f3leo e g\u00e1s durante as d\u00e9cadas de 70 e 80, v\u00e1rias decis\u00f5es sobre os limites do Estado no exerc\u00edcio de sua soberania, especialmente relacionada ao poder de altera\u00e7\u00e3o das normas, concess\u00f5es e contratos, foram proferidas, ampliando a fonte de precedentes arbitrais no setor mineral.<br \/>\nEspecialmente em rela\u00e7\u00e3o ao impacto da resist\u00eancia social em disputas arbitrais na minera\u00e7\u00e3o, tr\u00eas casos recentes na Am\u00e9rica Latina merecem uma an\u00e1lise mais profunda:\u00a0<i>Bear Creek x Peru, Copper Mesa x Equador\u00a0<\/i>e<i>\u00a0<\/i><i>South American Silver<\/i>\u00a0x\u00a0<i>Bolivia<\/i>.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Em todos a expropria\u00e7\u00e3o de ativos foi reconhecida. Todavia, as circunst\u00e2ncias de cada um levaram a consequ\u00eancias distintas no c\u00e1lculo da indeniza\u00e7\u00e3o devida aos investidores.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><b>Bear Creek x Peru<\/b><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">A disputa, iniciada em 2014 e decidida em 2018, envolveu o cancelamento de concess\u00f5es de um grande projeto de prata, na regi\u00e3o de Santa Ana, sudeste do Peru, em raz\u00e3o de movimentos antiminera\u00e7\u00e3o, incluindo oposi\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena. O cancelamento se deu por decreto Presidencial (Decreto Supremo 032), ao argumento que o projeto n\u00e3o se enquadraria no\u00a0<i>interesse nacional<\/i>.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">A decis\u00e3o arbitral reconheceu que a atua\u00e7\u00e3o do Estado foi expropriat\u00f3ria, afirmando a tomada ilegal da propriedade dos investidores, com n\u00edtida afronta ao devido processo legal. Os \u00e1rbitros conclu\u00edram que o Decreto Supremo violou as leg\u00edtimas expectativas do empreendedor que, ao adquirir as concess\u00f5es, tomou todas as provid\u00eancias previstas na norma para desenvolver o projeto. Al\u00e9m disso, a medida, ainda que supostamente legitimada no interesse nacional, teve car\u00e1ter essencialmente pol\u00edtico, violando as normas peruanas sobre o desenvolvimento de projetos minerais, bem como as disposi\u00e7\u00f5es essenciais de prote\u00e7\u00e3o do investimento previsto no Tratado Bilateral de Investimentos entre Canad\u00e1 e Peru.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">A parte pol\u00eamica da decis\u00e3o, contudo, \u00e9 a referente ao c\u00e1lculo da compensa\u00e7\u00e3o devida. Duas quest\u00f5es relevantes foram debatidas: (a) a conduta do investidor e sua rela\u00e7\u00e3o com os movimentos antiminera\u00e7\u00e3o e (b) as chances de o empreendimento prosperar, ainda que n\u00e3o tivesse suas concess\u00f5es canceladas.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o ao primeiro item, a decis\u00e3o reconheceu que, embora a empresa pudesse ter tomado medidas mais efetivas para vencer a resist\u00eancia local \u00e0s atividades, atuando de forma a envolver a comunidade no projeto, n\u00e3o descumpriu as normas peruanas no que concerne aos consentimentos necess\u00e1rios para avan\u00e7ar com o projeto. O voto divergente de um dos \u00e1rbitros<sup>7<\/sup>\u00a0sugeriu que, em raz\u00e3o da conduta da empresa, o valor devido a t\u00edtulo de indeniza\u00e7\u00e3o deveria ser reduzido. O Tribunal, por maioria, rejeitou a tese.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Sobre o segundo item, o Tribunal n\u00e3o acatou o argumento do investidor de que a indeniza\u00e7\u00e3o deveria se dar com base na avalia\u00e7\u00e3o do\u00a0<i>pre\u00e7o de mercado<\/i>\u00a0do projeto. Os \u00e1rbitros, examinando as provas e reconhecendo as v\u00e1rias frentes de resist\u00eancia ao avan\u00e7o do empreendimento, conclu\u00edram que as chances de o investidor obter a\u00a0<i>licen\u00e7a social para operar<\/i>\u00a0eram remotas, tornando-o invi\u00e1vel. Nesse contexto, o Tribunal determinou que a compensa\u00e7\u00e3o fosse feita com base nos valores efetivamente investidos pelo empreendedor, e n\u00e3o no seu poss\u00edvel ganho. Dos US$ 522 milh\u00f5es pleiteados, com base na metodologia de\u00a0<i>Fluxo de Caixa Descontado<\/i>, o investidor obteve cerca de US$ 30.4 milh\u00f5es (US$18.2 milh\u00f5es investidos, mais juros, despesas e honor\u00e1rios)<sup>8<\/sup>.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">A decis\u00e3o \u00e9 relevante e demanda aten\u00e7\u00e3o dos investidores.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">O Tribunal reconheceu que\u00a0<i>licen\u00e7a social para operar<\/i>\u00a0n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 circunst\u00e2ncia essencial na opera\u00e7\u00e3o do projeto, mas na avalia\u00e7\u00e3o da sua viabilidade econ\u00f4mica. Se, por um lado, ratificou o entendimento de que a resist\u00eancia das comunidades n\u00e3o afeta o direito criado para o investidor que adquiriu, validamente, os respectivos T\u00edtulos Miner\u00e1rios, devendo ser compensado na hip\u00f3tese de o Estado violar a confian\u00e7a estabelecida quando do in\u00edcio do projeto, por outro, levou em considera\u00e7\u00e3o que as dificuldades sociais enfrentadas, somadas \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o qualificada, comprometeram o seu desenvolvimento, impedindo que a indeniza\u00e7\u00e3o englobasse eventuais lucros cessantes.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><b>Copper Mesa x Ecuador<\/b><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">O segundo caso \u00e9 o<b>\u00a0<\/b><i>Copper Mesa x Ecuador<\/i>, iniciado em 2012 e julgado em 2016. A disputa surgiu de dois atos praticados pelo Equador: (a) o cancelamento de determinados t\u00edtulos miner\u00e1rios devido \u00e0 suposta n\u00e3o condu\u00e7\u00e3o de estudos ambientais e (b) a cria\u00e7\u00e3o de regras que reduziram a \u00e1rea dos t\u00edtulos, sem indeniza\u00e7\u00e3o aos investidores.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">O Tribunal Arbitral considerou que dois dos tr\u00eas t\u00edtulos foram expropriados, com a viola\u00e7\u00e3o do Tratado Bilateral de Investimento entre Canad\u00e1 e Equador. Foi determinado o pagamento de cerca de US$ 19 milh\u00f5es aos investidores.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">A decis\u00e3o confirmou que medidas governamentais expropriat\u00f3rias, ainda que com apar\u00eancia de legalidade, devem ser tomadas em respeito \u00e0 ordem internacional de prote\u00e7\u00e3o da propriedade. Para o setor mineral, \u00e9 uma decis\u00e3o relevante, pois reafirma o car\u00e1ter patrimonial dos t\u00edtulos miner\u00e1rios, e que qualquer medida imposta ao aproveitamento destes, ainda que n\u00e3o determine o seu desapossamento completo pelo investidor, constitui desapropria\u00e7\u00e3o indireta, determinando a compensa\u00e7\u00e3o financeira.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Todavia, a decis\u00e3o traz aspectos relevantes: a influ\u00eancia da conduta do investidor na medida expropriat\u00f3ria do Estado e o reflexo desta na defini\u00e7\u00e3o do valor da compensa\u00e7\u00e3o. O tribunal, ao apontar algumas condutas temer\u00e1rias relacionadas \u00e0 repress\u00e3o violenta dos movimentos antiminera\u00e7\u00e3o, articuladas por oficiais seniores da empresa, atribuiu ao investidor 30{a50adec798dbc0f88b3eabe56cf473735b25450c039c40948cf77e66b9d395ab} da responsabilidade pela frustra\u00e7\u00e3o do projeto, percentual que foi reduzido do valor da indeniza\u00e7\u00e3o.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><b>South American Silver x Bol\u00edvia<\/b><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Por \u00faltimo, registra-se o relevante caso envolvendo a South American Silver contra a Bol\u00edvia, e julgado em 2018.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Por meio de sociedades subsidi\u00e1rias, South American Silver iniciou suas opera\u00e7\u00f5es na Bol\u00edvia em 1994, adquirindo dez t\u00edtulos miner\u00e1rios de pesquisa (Projeto Malku Khota). Ap\u00f3s an\u00e1lises t\u00e9cnico-econ\u00f4micas, a empresa obteve a concess\u00e3o de tr\u00eas minas subterr\u00e2neas. O Projeto Malku Khota estava localizado em \u00e1rea habitada por povos ind\u00edgenas Aymara e Quechua que, por meio de complexa organiza\u00e7\u00e3o social, possu\u00edam esp\u00e9cie de governo pr\u00f3prio e gozavam de certa autonomia em rela\u00e7\u00e3o ao governo boliviano.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Em meados de 2010, com a expans\u00e3o das atividades de minera\u00e7\u00e3o, foram reportados impactos ambientais em locais considerados sagrados pela comunidade local. Com isso, lideran\u00e7as nativas, por meio de processo decis\u00f3rio pr\u00f3prio e sem a interven\u00e7\u00e3o do governo central boliviano, declararam a presen\u00e7a de South American Silver ilegal. As atividades foram paralisadas em seguida.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s o agravamento dos conflitos que atingiram a viol\u00eancia f\u00edsica entre parcela da comunidade que apoiava as atividades de minera\u00e7\u00e3o e parcela, mais numerosa, dissidente, foi publicado decreto expropriat\u00f3rio pela Bol\u00edvia. Pouco tempo depois a Bol\u00edvia assumiu as opera\u00e7\u00f5es miner\u00e1rias por meio de companhias estatais.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">South American Silver entendeu que houve viola\u00e7\u00e3o ao Tratado Bilateral. A Bol\u00edvia, por sua vez, entendeu que a revers\u00e3o das concess\u00f5es era essencial para a resolu\u00e7\u00e3o dos conflitos com os povos nativos.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">O Tribunal Arbitral entendeu que o o decreto de\u00a0<i>nacionaliza\u00e7\u00e3o<\/i>\u00a0do Projeto Malku Khota apresentou suficiente justificativa de interesse p\u00fablico, voltado \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos das comunidades tradicionais. As medidas tomadas pela Bol\u00edvia intencionavam a pacifica\u00e7\u00e3o de conflitos sociais que se estendiam por longos meses, com graves consequ\u00eancias sociais, como o uso de viol\u00eancia, e econ\u00f4micas, como a deteriora\u00e7\u00e3o do meio ambiente.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Todavia, o terceiro aspecto fundamental analisado pelo tribunal, a respeito da exist\u00eancia ou n\u00e3o de expropria\u00e7\u00e3o direta, foi se a aus\u00eancia de compensa\u00e7\u00e3o pr\u00e9via constituiria viola\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios internacionais de prote\u00e7\u00e3o ao investimento estrangeiro. A despeito da aus\u00eancia de prazo especificado para pagamento de compensa\u00e7\u00e3o, o Tribunal Arbitral concluiu que a compensa\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi paga, fato que determinou o reconhecimento da desapropria\u00e7\u00e3o. Em raz\u00e3o do est\u00e1gio inicial, o tribunal decidiu pela indeniza\u00e7\u00e3o baseada nos custos envolvidos no projeto at\u00e9 a sua expropria\u00e7\u00e3o.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Independentemente da disputa relacionada ao valor dos danos apurados, a decis\u00e3o enfrentou uma quest\u00e3o relevant\u00edssima associada \u00e0 expropria\u00e7\u00e3o de ativos miner\u00e1rios: a impossibilidade de as medidas de prote\u00e7\u00e3o a comunidades prejudicarem os investidores que, com base nas leg\u00edtimas expectativas criadas pelo Estado, aportam recursos.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Todavia, o tribunal reconheceu que \u00e9 poss\u00edvel ao Estado, no exerc\u00edcio da soberania, exercer suas prerrogativas de escolha em conflitos envolvendo o uso do territ\u00f3rio. Nesse sentido, legitimou a atitude do governo boliviano, fato relevante no m\u00e9todo do c\u00e1lculo da indeniza\u00e7\u00e3o, pois, na mesma linha dos dois casos anteriores, negou o pedido de compensa\u00e7\u00e3o pelo valor de mercado das \u00e1reas, com base em seus resultados futuros, e, utilizando o valor dos investimentos como par\u00e2metro.\u00a0Nesse cen\u00e1rio, o pleito inicial de US$ 385 milh\u00f5es foi reduzido a\u00a0US$ 18.7 milh\u00f5es<sup>9<\/sup>.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><b>Tend\u00eancia?<\/b><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">A investiga\u00e7\u00e3o desses precedentes \u00e9 relevante por duas raz\u00f5es: (a) embora n\u00e3o sejam vinculantes, as decis\u00f5es arbitrais auxiliam na forma\u00e7\u00e3o do processo decis\u00f3rio em disputas similares, e (b) embora n\u00e3o exista uma identidade absoluta de regulamentos, pr\u00e1ticas e contratos no setor mineral, a expans\u00e3o global da atividade desencadeou estruturas legais similares, tamb\u00e9m capazes de influenciar novos casos com base em decis\u00f5es antigas.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Diante disso, fica claro que a an\u00e1lise dos casos ajuda a identificar tend\u00eancias para sua resolu\u00e7\u00e3o, permitindo que empresas e Estados antecipem os ajustes e a padroniza\u00e7\u00e3o de condutas.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Em raz\u00e3o do debate \u2013 atual\u00edssimo, por sinal \u2013 envolvendo a minera\u00e7\u00e3o em \u00e1reas socialmente sens\u00edveis (em centros urbanos, pr\u00f3xima a \u00e1reas ind\u00edgenas em im\u00f3veis ocupados por quilombolas), tais disputam refor\u00e7am que as empresas invistam em boas pr\u00e1ticas de governan\u00e7a, reduzindo os riscos financeiros e de imagem relacionadas a seus projetos.<br \/>\n\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><sup>1<\/sup>\u00a0Sobre o engajamento social de empresas de minera\u00e7\u00e3o, recomenda-se a leitura do excelente artigo de James Otto sobre os\u00a0<i>Communities Development Agreements<\/i>.\u00a0Otto, James M.. 2010.\u00a0<i>Community development agreement: model regulations and example guidelines (English)<\/i>. Washington, DC: World Bank.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><sup>2\u00a0<\/sup>Pedro, A., Ayuk, E.T., Bodouroglou, C. et al. Miner Econ (2017) 30: 153. <a href=\"http:\/\/www.adambrasil.com\/doi.org\/s13563\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/doi.org\/10.1007\/s13563-017-0108-9<\/a><br \/>\n<sup>3<i>\u00a0<\/i><\/sup>Ovesena, V.\u00a0<i>et al<\/i>\u00a0(2017), pp. 110-131.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">4\u00a0J.D. Sachs, J. D. (2007) in Humphreys, M., Sachs, J.D., Stiglitz, J.E. (eds.), pp. 173\u2013193.<br \/>\n5\u00a0Sachs, L.\u00a0<i>et al<\/i>. (2012), p. 12.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">6\u00a0Sobre disputas arbitrais envolvendo a ind\u00fastria mineral, recomenda-se o brilhante trabalho de Henry Burnett e Louis-Alexis Bret\u00a0<i>Arbitration os International Mining Disputes<\/i>, Oxford, 2017.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">7\u00a0Voto do Prof. Sanders, que pode ser lido em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.adambrasil.com\/jusmundi.com\/en\/document\/opinion\/en-bear-creek-mining-corporation-v-republic-of-peru\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/jusmundi.com\/en\/document\/opinion\/en-bear-creek-mining-corporation-v-republic-of-peru-partial-dissenting-opinion-professor-philippe-sands-qc-thursday-30th-november-2017#opinion_1802<\/a><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">8\u00a0Os coment\u00e1rios da equipe de minera\u00e7\u00e3o do Herbert Smith Freehills s\u00e3o interessantes:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.adambrasil.com\/hsfnotes.com\/arbitration\/2018\/01\/26\/bear-creek-mining-corp-v-peru\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/hsfnotes.com\/arbitration\/2018\/01\/26\/bear-creek-mining-corp-v-peru-the-potential-impact-on-damages-of-an-investors-contributory-action-and-failure-to-obtain-a-social-license<\/a><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">9 Sobre os m\u00e9todos de c\u00e1lculo das indeniza\u00e7\u00f5es em disputas na ind\u00fastria mineral, recomenda-se a leitura do artigo\u00a0<i>Valuation of Non-Producing Mineral Properties<\/i>, de Damien Nyer and Xuefeng Wu, publicado em\u00a0<i>The Guide to Mining Arbitrations<\/i>, 2019.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Por <strong>TIAGO DE MATTOS SILVA<\/strong>\u00a0\u2013 S\u00f3cio do William Freire Advogados Associados e presidente do Instituto Brasileiro de Direito Miner\u00e1rio \u2013 IBDM , escrevendo da biblioteca do Centre for Energy, Petroleum, Mineral Law and Policy (CEPMLP), Universidade de Dundee, Esc\u00f3cia <a href=\"http:\/\/www.adambrasil.com\/dundee.ac.uk\/cepmlp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.dundee.ac.uk\/cepmlp<\/a><br \/>\nFonte: Jota &#8211; 03\/11\/2019 09:26<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><a title=\"AdamNews\" href=\"http:\/\/www.adamsistemas.com\/adamnews\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D&#39;http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg&#39;%20width=&#39;16&#39;%20height=&#39;16&#39;%20viewBox%3D&#39;0%200%2016%2016&#39;%2F%3E\" data-czlz data-src=\"http:\/\/www.adamsistemas.com\/imagens\/favicon_adam.ico\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/> AdamNews<\/a> &#8211; Divulga\u00e7\u00e3o exclusiva de not\u00edcias para clientes e parceiros!<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Impactos dos conflitos sociais miner\u00e1rios nas decis\u00f5es arbitrais investidor-estado &#8230; <a class=\"cz_readmore\" href=\"https:\/\/sitesadam.com.br\/modelo5\/mineracao-investimentos-arbitragem\/\"><i class=\"fa fa-angle-right\" aria-hidden=\"true\"><\/i><span>Saiba mais&#8230;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,4,8],"tags":[3,5,9],"class_list":["post-9688","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-adamnews","category-arbitragem","category-noticias","tag-adamnews","tag-arbitragem","tag-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sitesadam.com.br\/modelo5\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9688","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sitesadam.com.br\/modelo5\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sitesadam.com.br\/modelo5\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sitesadam.com.br\/modelo5\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sitesadam.com.br\/modelo5\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9688"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sitesadam.com.br\/modelo5\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9688\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sitesadam.com.br\/modelo5\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9688"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sitesadam.com.br\/modelo5\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9688"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sitesadam.com.br\/modelo5\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9688"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}