{"id":10350,"date":"2023-04-25T04:04:00","date_gmt":"2023-04-25T07:04:00","guid":{"rendered":"http:\/\/sitesadam.com.br\/modelo3\/?p=10350"},"modified":"2023-05-01T21:12:44","modified_gmt":"2023-05-02T00:12:44","slug":"processo-arbitral-inicio-meio-e-fim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sitesadam.com.br\/modelo3\/2023\/04\/25\/processo-arbitral-inicio-meio-e-fim\/","title":{"rendered":"Processo arbitral: in\u00edcio, meio e fim"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: justify;\">Um dos temas mais instigantes na seara do direito processual, diz respeito \u00e0s peculiaridades do processo arbitral. Mas se se est\u00e1 aqui a falar de processo puramente dito, por que dar algum destaque ao processo arbitral? Existe, realmente, alguma diferen\u00e7a entre o processo arbitral e o processo judicial?<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Arbitragem, como se sabe, \u00e9 processo. Em verdade, a arbitragem possui um sistema estrutural bastante semelhante ao do processo civil, com a diferen\u00e7a de que quem julgar\u00e1 o lit\u00edgio ser\u00e3o \u00e1rbitros indicados pelas partes, o quais, assim como o juiz estatal, devem ser imparciais e independentes. Processo civil e arbitragem constituem, assim, &#8220;instrumentos heter\u00f4nimos de solu\u00e7\u00e3o de conflitos&#8221;, gerando inquestion\u00e1vel &#8220;paralelismo&#8221; na vis\u00e3o de Donaldo Armelin1-2.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">\u00c9 nesse contexto que Carnelutti, ao ver a arbitragem como um dos equivalentes do processo civil contencioso de cogni\u00e7\u00e3o, lecionava:<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\">&#8220;[A] meu aviso, com a arbitragem j\u00e1 estamos no terreno do processo, onde n\u00e3o creio que &#8211; diferentemente da transa\u00e7\u00e3o e do processo estrangeiro &#8211; seja no caso de compreend\u00ea-la entre os equivalentes processuais. A raz\u00e3o est\u00e1 em que, \u00e0 diferen\u00e7a do processo estrangeiro, o processo arbitral \u00e9 regulado pelo nosso ordenamento jur\u00eddico n\u00e3o apenas no sentido de controle dos requisitos da senten\u00e7a arbitral e dos seus pressupostos, mas tamb\u00e9m e acima disto, pela inger\u00eancia do Estado no desenvolvimento do pr\u00f3prio processo&#8221;.3<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">A processualidade da arbitragem adv\u00e9m de duas caracter\u00edsticas fundamentais: primeiramente, de sua jurisdicionalidade4 e, em segundo lugar, da aplicabilidade, a toda arbitragem, dos princ\u00edpios fundamentais do processo5.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">O car\u00e1ter processual \u00e9 um elemento inerente ao instituto da arbitragem, dado que esta visa a uma presta\u00e7\u00e3o. Ou seja, aquele que se sente lesado em um contrato, no qual resta inserida uma cl\u00e1usula compromiss\u00f3ria, possui um direito subjetivo a uma presta\u00e7\u00e3o. Possui uma pretens\u00e3o arbitral.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Tal pretens\u00e3o arbitral, id\u00eantica em ess\u00eancia \u00e0quela travada no \u00e2mbito do processo judicial, possui uma peculiaridade: ela se sujeita \u00e0 um processo que possui in\u00edcio, meio e fim. O mais importante em rela\u00e7\u00e3o a esse ponto \u00e9 o fim. A decis\u00e3o final, revestida pela senten\u00e7a arbitral, resolve, em car\u00e1ter definitivo, a lide entre as partes. O referido car\u00e1ter perempt\u00f3rio pode explicado de forma simples: a senten\u00e7a arbitral n\u00e3o comporta recurso, ou mesmo rediscuss\u00e3o6. O m\u00e9rito da demanda, insculpido na senten\u00e7a, \u00e9 intang\u00edvel7.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Tal ponto, considerado elementar na arbitragem, poderia ser uma desvantagem do referido instituto? Certamente a resposta \u00e9 negativa. A t\u00e3o aclamada celeridade do processo arbitral adv\u00e9m, justamente, dessa caracter\u00edstica estrutural, a qual se destaca por se concentrar em tr\u00eas etapas: in\u00edcio, meio e fim.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Diferentemente do processo judicial, que se encerra quando do tr\u00e2nsito em julgado da \u00faltima decis\u00e3o que julgar o m\u00e9rito da demanda (o que pode levar anos, a depender da quantidade de recursos ofertados \u00e0s inst\u00e2ncias superiores), o processo arbitral tem o seu fim com a senten\u00e7a arbitral final, a qual obt\u00e9m o seu tr\u00e2nsito em julgado de forma imediata8.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">O car\u00e1ter definitivo da senten\u00e7a arbitral \u00e9 certamente um elemento que deve ser considerado pelas partes ao eleger a arbitragem como m\u00e9todo de resolu\u00e7\u00e3o de disputas em suas aven\u00e7as. As partes s\u00e3o respons\u00e1veis pelas melhores estrat\u00e9gias a serem adotadas em seus neg\u00f3cios, tanto aquelas de car\u00e1ter comercial como as de natureza processual (i.e., escolha da cl\u00e1usula de arbitragem). Escolher a arbitragem para resolver disputas tem inevit\u00e1veis consequ\u00eancias, dentre elas: (i) o imediato afastamento da compet\u00eancia do ju\u00edzo estatal para a aprecia\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito da demanda (efeito negativo da conven\u00e7\u00e3o de arbitragem9); (ii) a remessa do caso \u00e0 jurisdi\u00e7\u00e3o arbitral, a quem compete o processamento e resolu\u00e7\u00e3o da disputa (efeito positivo da conven\u00e7\u00e3o de arbitragem10); e, (iii) diretamente relacionada \u00e0 esse efeito positivo, o car\u00e1ter definitivo da decis\u00e3o que julgar o m\u00e9rito da causa.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">O risco inerente \u00e0 escolha de um processo que gera uma decis\u00e3o irrecorr\u00edvel deve compor a matriz de risco das partes na escolha do m\u00e9todo de resolu\u00e7\u00e3o de disputas. Isso porque pouco ou nada ajuda as partes, insatisfeitas com o resultado de determinado processo arbitral recorrerem ao Poder Judici\u00e1rio por meio da a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria prevista no art. 32 da Lei de Arbitragem. Tal a\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um recurso e n\u00e3o tem cond\u00e3o de rever o m\u00e9rito da senten\u00e7a arbitral, o qual, por for\u00e7a legal, \u00e9 intang\u00edvel.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, a propositura de a\u00e7\u00f5es com o fito de rever o m\u00e9rito da senten\u00e7a arbitral, n\u00e3o apenas defrontam-se com a alta probabilidade do julgamento de improced\u00eancia da demanda (o que, ali\u00e1s, j\u00e1 foi comprovado por uma s\u00e9rie de an\u00e1lises quantitativas realizadas no Brasil11), mas, tamb\u00e9m, o elevado risco da condena\u00e7\u00e3o da parte perdedora nos \u00f4nus sucumbenciais, os quais variam entre 10 e 20 por cento do valor da causa12, sendo tais verbas percentuais consideradas taxativas pela jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (&#8220;STJ&#8221;13). Em verdade, esse tipo de conduta nutre a perniciosa instabilidade criada pelo chamado &#8220;mal perdedor&#8221;, para quem ganhar ou perder uma a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria pouco importa, visto que o objetivo de sua propositura muitas vezes \u00e9 apenas a protelar o cumprimento da senten\u00e7a14.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Em suma: n\u00e3o visam as presentes linhas demonstrar que o processo arbitral, apenas, possui in\u00edcio, meio e fim. Mas \u00e9 justamente ressaltar que, em raz\u00e3o dessa caracter\u00edstica, em especial o seu fim, que as partes devem ter o absoluto cuidado na escolha do m\u00e9todo de resolu\u00e7\u00e3o de disputas em seus neg\u00f3cios. Deve-se atentar que, se escolhida a arbitragem, serve esta para resolver eventual imbr\u00f3glio entre as partes e n\u00e3o fazer com que uma lide se eternize por meio de inventadas e infundadas a\u00e7\u00f5es anulat\u00f3rias. Saber redigir uma cl\u00e1usula arbitral completa, escolher estrat\u00e9gica e cuidadosamente os membros do tribunal arbitral, participar de forma ativa e coerente durante o procedimento, expor o seu caso com a devida min\u00facia, produzir provas capazes de suportar seus pleitos e aceitar a decis\u00e3o final que advier, s\u00e3o elementos que devem estar na mente daquele que, conscientemente, escolhe a arbitragem como m\u00e9todo de resolu\u00e7\u00e3o de seus lit\u00edgios.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">__________<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">1 Nesse sentido, afirma Donaldo Armelin: &#8220;[&#8230;] apresenta, no seu conjunto, estrutura semelhante a do processo civil, at\u00e9 porque ambos s\u00e3o instrumentos heter\u00f4nimos de solu\u00e7\u00e3o de conflitos, nos quais emerge a exist\u00eancia de terceiro desinteressado ao qual se atribui autoridade suficiente para o deslinde do lit\u00edgio&#8221; (Prescri\u00e7\u00e3o e arbitragem. Revista de Arbitragem e Media\u00e7\u00e3o, S\u00e3o Paulo: RT, n\u00ba 15, p. 69, out.-dez. 2007).<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">2 O paralelismo dos efeitos das vias judicial e arbitral \u00e9 assim explicado por Donaldo Armelin: &#8220;[&#8230;] at\u00e9 porque a via arbitral serve, assim como o processo civil, de ve\u00edculo legal e constitucional para o acesso \u00e0 Justi\u00e7a, observando os mesmos princ\u00edpios garantidores do devido processo legal guardadas as peculiaridades desses dois institutos&#8221; (Prescri\u00e7\u00e3o e arbitragem. Revista de Arbitragem e Media\u00e7\u00e3o, S\u00e3o Paulo: RT, n\u00ba 15, p. 79, out.-dez. 2007).<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">3 CARNELUTTI, Francesco. Sistema di diritto processuale civile. P\u00e1dua: Cedam, 1936. v. 1, p. 179, citado por: CARMONA, Carlos Alberto. A arbitragem no processo civil brasileiro. S\u00e3o Paulo: Malheiros, 1993. p. 19.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">4 A esse respeito, a li\u00e7\u00e3o de Eduardo Dami\u00e3o Gon\u00e7alves: &#8220;Nota-se que a arbitragem preenche todos os elementos que caracterizam a jurisdi\u00e7\u00e3o. Nesse caso, a fun\u00e7\u00e3o dos agentes adequados &#8211; os \u00e1rbitros &#8211; \u00e9 exercida n\u00e3o diretamente pelo Estado, mas por vontade das partes. Mas a arbitragem tamb\u00e9m tem em si um fundamento legal, na medida em que a possibilidade de as partes submeterem-se \u00e0 arbitragem deriva de uma decis\u00e3o do Estado manifestada por um texto legislativo que autoriza as partes a recorrerem \u00e0 arbitragem para a solu\u00e7\u00e3o da lide embora n\u00e3o seja apropriado dizer que se trata de uma delega\u00e7\u00e3o estatal&#8221; (Arbitrabilidade objetiva. 2008. Tese (Doutoramento) &#8211; Faculdade de Direito da Universidade de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo, p. 24)<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">5 Bruno Oppetit, ao ponderar sobre as diferen\u00e7as da justi\u00e7a estatal e justi\u00e7a arbitral, lembrando que o ideal de justi\u00e7a de ambas as jurisdi\u00e7\u00f5es \u00e9 o mesmo, com peculiares diferen\u00e7as, ressalva que os princ\u00edpios do contradit\u00f3rio, da igualdade das partes e da ampla defesa est\u00e3o sempre presentes, em qualquer lit\u00edgio, sob pena de n\u00e3o existir um processo justo, \u00edntegro. Nesse sentido, dizia: &#8220;Il ne saurait en effet exister de proc\u00e8s \u00e9quitable sans que soient scrupuleusement respect\u00e9s le principe d&#8217;\u00e9galit\u00e9 entre les parties, le principe de la contradiction et celui, proche mais distinct, de la protection de la d\u00e9fense, ainsi que la n\u00e9cessit\u00e9 d&#8217;un d\u00e9bat loyal, et ces exigences, quelles qu&#8217;en soient les modalit\u00e9s qui les traduisent, se manifestent \u00e0 tous les stades de la proc\u00e9dure&#8221; (Justice \u00e9tatique et justice arbitrale. \u00c9tudes offertes \u00e0 Pierre Bellet. Paris: Litec, 1991. p. 422).<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">6 Ver, nesse sentido, o disposto no art. 18 da Lei de Arbitragem: &#8220;O \u00e1rbitro \u00e9 juiz de fato e de direito, e a senten\u00e7a que proferir n\u00e3o fica sujeita a recurso ou a homologa\u00e7\u00e3o pelo Poder Judici\u00e1rio&#8221;.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">7 O que se entende, ali\u00e1s, ser, a verdadeira ess\u00eancia da arbitragem (NUNES, Thiago Marinho. Arbitragem e Prescri\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Atlas, 2014, p. 53.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">8 Segundo Ricardo de Carvalho Aprigliano: &#8220;[A] natureza processual da arbitragem se extrai n\u00e3o apenas da presen\u00e7a de julgadores estranhos ao lit\u00edgio e equidistantes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s partes, mas tamb\u00e9m do objetivo final de obten\u00e7\u00e3o de uma decis\u00e3o que aplique o direito ao caso concreto, proferida mediante senten\u00e7a, \u00e0 qual se atribuem os mesmos efeitos da senten\u00e7a judicial. E porque esta senten\u00e7a, em particular, n\u00e3o est\u00e1 sujeita \u00e0 homologa\u00e7\u00e3o ou revis\u00e3o quanto ao m\u00e9rito, da\u00ed resulta que ao ser proferida, ou quando muito ap\u00f3s a decis\u00e3o sobre os pedidos de esclarecimentos, a senten\u00e7a arbitral transita imediatamente em julgado, produzindo efeitos de forma imediata&#8221;. (Nomas processuais aplic\u00e1veis \u00e0 arbitragem. Par\u00e2metros para a aplica\u00e7\u00e3o de normas processuais gerais ao processo arbitral. Tese de Livre Doc\u00eancia. Faculdade de Direito da Universidade de S\u00e3o Paulo, 2022, p. 55).<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">9 Segundo Fouchard, Gaillard e Goldman, para que seja assegurado o respeito ao cumprimento da conven\u00e7\u00e3o de arbitragem, \u00e9 necess\u00e1rio que ao efeito positivo, que imp\u00f5e \u00e0s partes a atribui\u00e7\u00e3o aos \u00e1rbitros de todos os lit\u00edgios cobertos pela conven\u00e7\u00e3o de arbitragem, corresponda tamb\u00e9m um efeito negativo, o qual pro\u00edbe as jurisdi\u00e7\u00f5es estatais de se manifestarem sobre qualquer lit\u00edgio, objeto da conven\u00e7\u00e3o de arbitragem (FOUCHARD, Philippe; GAILLARD, Emmanuel; GOLDMAN, Berthold. Trait\u00e9 de l&#8217;arbitrage commercial international. Paris: Litec, 1996. p. 416).<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">10 A atribui\u00e7\u00e3o aos \u00e1rbitros de jurisdi\u00e7\u00e3o, em raz\u00e3o do efeito positivo da conven\u00e7\u00e3o de arbitragem, j\u00e1 era justificada por Roque Caivano da seguinte forma: &#8220;[&#8230;] atribuir jurisdicci\u00f3n a los \u00e1rbitros, quienes obtienen de ella las facultades necesarias para intervenir en el litigio; y es por ello que la clausula compromisoria determina la medida de las facultades de los arbitros&#8221; (Arbitraje: su efic\u00e1cia como sistema alternativo de resoluci\u00f3n de conflictos. Buenos Aires: Ad Hoc, 1993. p. 116).<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">11 Ver, a esse respeito: <a href=\"https:\/\/www.adambrasil.com\/pesquisa-cbar-abearb-2016\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pesquisa CBAr-ABEArb 2016 \u00ab CBAr &#8211; Comit\u00ea Brasileiro de Arbitragem<\/a>. Acesso em 21 abr. 2023.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">12 Art. 85, \u00a7 2\u00ba do C\u00f3digo de Processo Civil: &#8220;Os honor\u00e1rios ser\u00e3o fixados entre o m\u00ednimo de dez e o m\u00e1ximo de vinte por cento sobre o valor da condena\u00e7\u00e3o, do proveito econ\u00f4mico obtido ou, n\u00e3o sendo poss\u00edvel mensur\u00e1-lo, sobre o valor atualizado da causa, atendidos (&#8230;)&#8221;.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">13 Ver, a esse respeito: STJ, Corte Especial, Recurso Especial n. 1.850.512-SP, Rel. Min. Og Fernandes, j. 16 de mar\u00e7o de 2022, DJE de 31 de maio de 2022.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">14 A esse respeito, pertinente a cr\u00edtica tecida por Ricardo de Carvalho Aprigliano no que concerne \u00e0s a\u00e7\u00f5es que visam anular senten\u00e7as arbitrais por eventual aus\u00eancia de revela\u00e7\u00e3o do \u00e1rbitro de determinado fato: &#8220;\u00c9 preciso ter clareza quanto a dois aspectos, que, a um s\u00f3 tempo, representam as especificidades do processo arbitral e tamb\u00e9m demonstram a necessidade de interpret\u00e1-lo \u00e0 luz dos conceitos e par\u00e2metros processuais da teoria geral do processo. O primeiro aspecto \u00e9 que a viola\u00e7\u00e3o ao dever de revela\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 caraterizada, na Lei de Arbitragem, como causa \u00fanica e exclusiva para a anula\u00e7\u00e3o de senten\u00e7as arbitrais. N\u00e3o obstante ser claramente um dever dos \u00e1rbitros, a sua viola\u00e7\u00e3o n\u00e3o gera, ipso facto, alguma consequ\u00eancia direta. Ser\u00e1 preciso sempre verificar se, da n\u00e3o revela\u00e7\u00e3o de algum fato, houve impactos na imparcialidade e independ\u00eancia do \u00e1rbitro que violou o dever de revelar. \u00c9 muito perigosa a tend\u00eancia que se observa de criar uma associa\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica entre tais figuras, porque o argumento passa a ser uma esp\u00e9cie de &#8220;bala de prata&#8221;, que todo litigante perdedor tentar\u00e1 se valer, para impugnar decis\u00f5es arbitrais. Para certas finalidades estrat\u00e9gicas, ganhar ou perder a a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria \u00e9 o que menos importa, porque a instabilidade se far\u00e1 presente, ao menos durante os longos anos de tramita\u00e7\u00e3o desta demanda&#8221;. (Nomas processuais aplic\u00e1veis \u00e0 arbitragem. Par\u00e2metros para a aplica\u00e7\u00e3o de normas processuais gerais ao processo arbitral. Tese de Livre Doc\u00eancia. Faculdade de Direito da Universidade de S\u00e3o Paulo, 2022, p. 222).<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Por Thiago Marinho Nunes, FCIArb. Doutor em Direito Internacional e Comparado pela Faculdade de Direito da Universidade de S\u00e3o Paulo; mestre em Contencioso, Arbitragem e Modos Alternativos de Resolu\u00e7\u00e3o de Conflitos pela Universidade de Paris II &#8211; Panth\u00e9on-Assas; vice-presidente da CAMARB; Fellow do Chartered Institute of Arbitrators; Professor do N\u00facleo de Pesquisa em Arbitragem do IBMEC-SP; \u00e1rbitro independente.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Fonte: Migalhas &#8211; ter\u00e7a-feira, 25 de abril de 2023<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><a title=\"AdamNews\" href=\"http:\/\/www.adambrasil.com\/an\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/www.adamsistemas.com\/imagens\/favicon_adam.ico\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/> AdamNews<\/a> &#8211; Divulga\u00e7\u00e3o exclusiva de not\u00edcias para clientes e parceiros!<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Saber redigir uma cl\u00e1usula arbitral completa, escolher estrat\u00e9gica e cuidadosamente os membros do tribunal arbitral, participar de forma ativa e coerente durante o procedimento, expor o seu caso com a devida min\u00facia, produzir provas capazes de suportar seus pleitos e aceitar a decis\u00e3o final que advier, s\u00e3o elementos que devem estar na mente daquele que, conscientemente, escolhe a arbitragem como m\u00e9todo de resolu\u00e7\u00e3o de seus lit\u00edgios.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[5,7,9],"tags":[6,8,10],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sitesadam.com.br\/modelo3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10350"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sitesadam.com.br\/modelo3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sitesadam.com.br\/modelo3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sitesadam.com.br\/modelo3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sitesadam.com.br\/modelo3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10350"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sitesadam.com.br\/modelo3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10350\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10351,"href":"https:\/\/sitesadam.com.br\/modelo3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10350\/revisions\/10351"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sitesadam.com.br\/modelo3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10350"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sitesadam.com.br\/modelo3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10350"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sitesadam.com.br\/modelo3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10350"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}